Mata-mata é isso. O Palmeiras não brilhou, e nem era pra brilhar. No jogo mais importante do semestre, o essencial era construir uma vantagem, e de preferência sem tomar gols em casa. Além de ter alcançado o objetivo, de quebra ainda conseguimos que o jogador mais importante do adversário fosse expulso. Assim, o Verdão vai a Curitiba na semana que vem com bastante gordura pra queimar – o que não quer dizer de forma alguma que o time já está classificado. Mas que deu um belo passo, isso deu.
O Atlético veio mais atrevido do que o esperado para o início do jogo. Se não chegou a encurralar o Palmeiras, pelo menos conseguiu travar um forte duelo no meio-de campo, setor onde cada equipe alocou cinco jogadores. Com esse baita congestionamento, sobrava bastante espaço nas duas intermediárias, e qualquer bola espirrada podia ser fatal. O Palmeiras mostrou como maior novidade a entrada de Figueroa no meio, como terceiro volante, revezando-se a todo momento com Marcio Araujo. Aliás, reconheçamos, foi a melhor partida do camisa 8 pelo Verdão.
E foi pela direita, que, aos 14 minutos, saiu o gol: Figueroa pra Robert, que tabelou com Edinho e recebeu em velocidade, entrando em diagonal. Robert ganhou na força e na velocidade para bater cruzado, firme, no cantinho do goleiro: 1×0, e o Palestra explodiu. A torcida foi algo especial, e quem não foi ao Palestra, perdeu. Parecia que o Palmeiras tinha se divorciado de sua torcida depois do triste Campeonato Paulista. Mas foi só uma rusga: a torcida do Verdão mostrou que pode até ter ficado de mal com o time naquelas medonhas rodadas finais, mas soube comparecer quando realmente importava, e jogou junto com o os 11 em campo, como se deve fazer em mata-mata.
Com o gol, os paraguaios sentiram o golpe, e o Palmeiras podia ter feito mais. Desperdiçou as chances, e o Atlético colocou a bola no chão. Ou melhor, no ar: uma incrível sequência de 325 escanteios batidos por Paulo Baier – num deles, insistiu tanto em por a bola fora da marca que levou um amarelo. Marcos não foi bem nesse festival de bolas aéreas, mostrando uma enorme dificuldade de se aproximar da bola e dar um socão nela pra tirar o perigo.
E de tanto correrem e disputar a posse de bola nessa fase inicial, os times cansaram, e o final do primeiro tempo foi bem morno. Os jogadores foram para os vestiários, e a expectativa era de que o Palmeiras voltasse igual, administrando a vantagem, e tentasse matar o jogo no final, quando o atlético estivesse mais cansado. Uma proposta um tanto quanto arriscada, mas que já começa a ficar marcada como característica de AC Zago.
Nosso treinador podia ter exercido um pouco mais a autoridade de time grande jogando em casa e sufocado o Atlético, buscando o segundo gol, mantendo a posse de bola sem dar chance ao adversário sequer de tentar algo. Mas ele preferiu abrir um pouco o meio, ceder o setor aos visitantes e jogar em seus erross – e para isso bastou avançar Diego Souza, que ficou mais encostado em Robert.
Não deu certo – o erro do Atlético não aconteceu, e só aos 28 ele tentou consertar o equívoco, colocando Paulo Henrique no Lincoln, e chamando Diego Souza de volta. Continuou esburacado, Diego Souza sozinho não conseguiu fazer a ligação. O Atlético, por sua vez parou na forte marcação comandada por Edinho e Pierre, e ficou mais inoperante ainda quando Paulo Baier deixou o braço na cara do Pierre, e levou o segundo amarelo. Com um a menos, o Atlético deixou de oferecer perigo.
Era hora do Palmeiras matar o confronto – ir com 2×0 para Curitiba com o organizador do time adversário expulso era o melhor dos mundos. As entradas de Ewerthon no Robert, e Marquinhos no Figueroa, deixaram claro que AC Zago resolveu fazer o segundo gol. Mas mais uma vez, muito atrasado, demorou demais. Se bem que, no caso de Marquinhos, era melhor ter demorado a vida toda.
No final, os mais de 20 mil parmeristas que foram ao Palestra saíram satisfeitos, se não com o futebol pouco brilhante, mas com o resultado e com o ressurgimento de um Palmeiras competitivo. E sempre é uma delícia viver uma noite de futebol aguerrido no Palestra, com a torcida jogando junto, cantando e vibrando. Que venham os últimos jogos no velho Palestra, e que venha a nova Arena. Contagem regressiva.
Atuações:
Marcos: uma boa defesa no segundo tempo, e muita insegurança nas bolas aéreas. 6,5
Marcio Araujo: finalmente uma partida muito boa desse rapaz. Quando joga bola, recebe aplausos, é simples. 9
Danilo: parece que contra o ex-time ele joga com algo a mais. Ano passado foi assim, e hoje, de novo. 8 (depois ficamos sabendo do entrevero com Manuel, vamos aguardar os desdobramentos)
Leo: recuperou-se bem do desastre em Jundiaí. Mas ainda tá devendo, tem conta pra pagar. 7,5
Armero: parece que definitivamente a zica foi embora, e ele pelo menos voltou a jogar o futebol mediano do ano passado. Mas a capacidade que ele tem de tomar as decisões erradas é uma grandeza. 7
Pierre: parece que o mercado tá difícil, e ele voltou a pensar em Palmeiras. E quando isso acontece, ele volta a ser o grande Pierre. 8
Edinho: ótima partida, formando uma parede junto com Pierre, não deixando Paulo Baier jogar, e ainda chegando à frente – teve participação decisiva no gol. 9
Figueroa: voltou bem, pareceu inteiro fisicamente, e fez ótimas jogadas com Marcio Araujo. Mérito também do treinador, taí algo que já pode ser atribuído a ele. 7,5
Lincoln: apagado, abusou do recurso de tentar iludir o árbitro para cavar faltas. Me tuitaram dizendo que ele sofreu um pênalti no primeiro tempo, mas eu estava longe e não tive certeza. É diferenciado, mas abusa das firulas. 6
Diego Souza: injustiçado ao final do jogo. Brigou, correu, se apresentou, tentou jogadas. Foi xingado mas pelo que se espera do que do que era pra ele ter feito – e também um pouco de resquícios das atuações ridículas que teve antes. Por hoje, 7
Robert: o melhor do time. Lutou demais para compensar o esquema que poderia lhe sacrificar, deixando-o isolado. Correu, buscou jogo, marcou saída de bola, caiu pelas pontas, e fez o golaço da vitória, depois de ótima triangulação com Figueroa e Edinho. 9,5
Paulo Henrique: mostrou muita vontade nos 15 mminutos que esteve em campo. É muito mais forte do que parecia, mas como é garoto, também é rápido. Hoje ficou na vontade. S/N
Ewerthon e Marquinhos: jogaram menos de dez minutos, vamos deixar pra lá. S/N
AC Zago: continua com problemas com o relógio, a ousadia veio tarde demais e não foi tão ousada assim. Mas teve o mérito de encaixar bem o Figueroa e abrir mais o leque de opções com que esse time pode jogar, ainda mais com a falta de atacantes de qualidade. 7
Fonte: http://www.verdazzo.com.br/materias/palmeiras-1×0-atletico-pgy